Disputa pela vaga ao Senado por SC gera racha no bolsonarismo e ofensas públicas

A pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado por Santa Catarina em 2026 provocou uma crise aberta no bolsonarismo catarinense, com trocas de acusações entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e lideranças locais do PL. O impasse, que envolve a disputa pelas duas vagas da chapa governista — atualmente divididas entre o PP, com Esperidião Amin, e o PL — escalou nos últimos dias com ataques públicos entre a deputada estadual Ana Campagnolo, os deputados federais Carlos e Eduardo Bolsonaro e até o foragido Allan dos Santos.

Tudo começou na última sexta-feira (31), quando Ana Campagnolo afirmou em seu Instagram que a vaga do PL no Senado, antes destinada à deputada federal Caroline de Toni, havia sido “dada” a Carlos Bolsonaro. A declaração foi imediatamente rebatida pelo próprio Carlos, que a chamou de “mentirosa” e negou a versão. Ele reforçou em suas redes que “os pré-candidatos de Jair Bolsonaro ao Senado são Carol e Carlos Bolsonaro”.

Na terça-feira (4), Ana Campagnolo voltou à carga, afirmando que Caroline de Toni já está conversando com outros partidos — como Novo, MDB, União Brasil e Republicanos — após perder espaço no PL. Segundo ela, a entrada de Carlos na disputa “bagunça” a organização do partido em Santa Catarina e fere o sentimento local, já que ele não é catarinense. “Esse não era o cartão de visitas que a maioria dos catarinenses esperava de alguém que vem de fora almejando nos representar”, escreveu.

Eduardo Bolsonaro saiu em defesa do irmão e criticou publicamente a postura de Ana Campagnolo. Em publicação fixada no X, chamou sua “insurgência” de “inaceitável”, tanto na forma quanto no conteúdo. Para ele, as críticas não têm base moral, mas visam apenas “conveniência e tática política”. “Ela usa uma régua contra meu irmão que jamais aplicou a si mesma”, afirmou, reforçando que a carreira dela só foi possível graças à liderança nacional do bolsonarismo.

Enquanto isso, Caroline de Toni mantém silêncio público, mas articula uma possível saída do PL. A deputada, que vinha sendo defendida por bolsonaristas locais como nome com “DNA catarinense”, é vista como peça-chave na tentativa de equilibrar a chapa do governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição com Amin como candidato a senador.

O clima de tensão foi ainda mais inflamado por Allan dos Santos, foragido da Justiça desde 2021. Em uma live, o blogueiro atacou o eleitorado catarinense, questionou o nome “Florianópolis” — por homenagear o marechal Floriano Peixoto, algo que chamou de “homenagem a um assassino de catarinenses” — e defendeu a candidatura de Carlos Bolsonaro como condição de lealdade ao movimento bolsonarista. “Se não querem o Carlos, falem abertamente que não querem o Bolsonaro”, provocou.

A crise evidencia uma divisão crescente entre o núcleo familiar bolsonarista e os aliados regionais, com reflexos diretos na articulação eleitoral de 2026 em Santa Catarina.

Foto por: Leonardo Marques – ASCOM/MCTI